DIABETES E EXERCÍCIO FISICO
Data: 06/03/2006
Diabetes mellitus é uma doença causada pela elevação da glicemia em jejum decorrente de uma deficiência relativa ou absoluta de insulina. O diabetes lesa e mata indiretamente, causando cegueira, nefropatia, cardiopatia, acidente vascular cerebral, entre outros. Os diabéticos são divididos em dois grupos distintos, tomando-se por base se o diabetes é causado pela falta de insulina (Tipo I) ou pela resistência a ela (Tipo II).
O diabetes tipo I, ou insulino-dependente, ocorre precocemente e representa 10% da população diabética. O diabetes tipo II, ou não insulino-dependente, ocorre mais tardiamente e está associado à obesidade andróide ou da porção superior do corpo. A dieta e o exercício são partes importantes do programa de tratamento do diabetes tipo II para obtenção da perda de peso e aumento da sensibilidade à insulina.
O exercício físico aumenta a velocidade com que a glicose deixa o sangue, dessa maneira o exercício tem sido visto como uma parte útil do tratamento para manter o controle da glicemia do diabético. No entanto, esse efeito benéfico do exercício depende do fato de o diabético estar ou não razoavelmente “controlado” antes do início da atividade. Controle significa que a glicemia encontra-se próxima do normal.
EXERCÍCIO E DIABETES TIPO I
A principal preocupação com relação à prescrição do exercício para o diabético tipo I é evitar a hipoglicemia. Isso é conseguido por meio de uma auto-monitoraçao rigorosa da glicemia antes, durante e após o exercício e da variação da ingestão de carboidratos e da dosagem de insulina dependendo da intensidade e da duração do exercício e do condicionamento físico do indivíduo.
- antes do exercício se a glicemia for menor ou igual a 80-100 mg/dl, devem ser consumidos carboidratos. Se ela estiver acima de 250 mg/dl, o exercício deve ser postergado até que se encontre abaixo desse nível.
- não se deve praticar exercícios físicos no momento da ação máxima da insulina, o qual varia de acordo com o tipo de insulina (de ação curta ou intermédia, infusão contínua). A insulina deve ser injetada num grupo muscular que não for exercitado.
- a glicose deve ser frequentemente monitorada durante o exercício.
- durante a recuperação do exercício, devem ser consumidos carboidratos adicionais. Se isso não for feito pode ocorrer hipoglicemia após o exercício.
- diabético tipo I, deve antes de ingressar na atividade física, realizar um teste de esforço físico submáximo para verificar freqüência máxima, vo2 max, pressão arterial entre outros que ajudarão no controle do exercício, procurar atividades de baixo impacto e sem carga de peso, evitar levantamento de cargas elevadas para minimizar a resposta da pressão arterial, ingerir maior quantidade de líquidos e trazer consigo uma forma prontamente disponível de carboidratos.
EXERCÍCIO E DIABETES TIPO II
O diabetes tipo II ocorre mais tardiamente e os pacientes apresentam vários fatores de risco adicionais: hipertensão, colesterol elevado, obesidade e inatividade. A combinação de exercício e dieta pode ser suficiente e eliminar a necessidade de insulina ou de medicação oral.
Os diabéticos não insulinos-dependentes não apresentam as mesmas flutuações da glicemia do que o tipo I, portanto exercícios de características de baixa intensidade e de longa duração maximizarão os benefícios relacionados à sensibilidade insulina e a perda de peso.
A freqüência deve ser alta, de até 5 a 7 vezes por semana, também para ajudar a promover um aumento sustentado da sensibilidade da insulina e facilitar a perda e a manutenção de peso.
O exercício é somente uma parte do tratamento outra é a dieta. A American Diabetes Association estabeleceu cinco objetivos relacionados a terapia nutricional para os diabéticos:
- manutenção dos níveis da glicemia próximos do normal por meio de um equilíbrio entre dieta e a insulina
- obtenção de níveis séricos de lipídios ideais
- fornecimento de quantidades adequadas de calorias para a obtenção de um peso razoável
- prevenção de complicações de longo prazo associados ao diabetes
- melhora da saúde global por meio de nutrição ideal.
Como em todos os programas de exercícios para os indivíduos não condicionados fisicamente, é mais importante fazer menos do que exagerar no início de um programa. Iniciando-se com uma atividade leve e aumentando gradativamente a duração, pode-se realizar o exercício diariamente.
Portanto se você é portador dessa doença, procure um médico antes de iniciar sua atividade física e posteriormente converse com os professores da Academia Fernando Scherer, eles saberão lhe indicar qual a melhor atividade física a ser realizada, tomando sempre os cuidados necessários. |